Estamos em abril. E, para quem gere uma PME, sabe bem o que isso significa: é agora que se tomam as decisões críticas sobre as contas do ano anterior.
Não há volta a dar.
Chegou o momento de olhar para os números de 2024 e perceber o impacto que terão… não só no passado, mas no futuro da empresa.
E o dilema é sempre o mesmo:
Apresentamos mais lucro e pagamos mais impostos (IRC a rondar os 21% + derrama)?
Ou reduzimos o resultado para poupar na fatura fiscal, mesmo que isso desvalorize a empresa?
É aqui que começa o verdadeiro braço de ferro da gestão financeira nas PMEs.
A tentação de otimizar impostos é compreensível — a tesouraria, para a maioria das pequenas e médias empresas, é uma dor de cabeça constante.
Por vezes, todo o dinheiro parece pouco.
Mas o que muitas vezes esquecemos é que esta “poupança” tem custos escondidos.
Quanto menos lucros apresentamos:
– Menor será a capacidade de recorrer à banca para financiamento.
– Mais frágil será a imagem da empresa perante investidores ou potenciais compradores.
– E, pior ainda, menor será o EBITDA, o famoso indicador que serve de base à avaliação de empresas.
E é aqui que a matemática complica: Se o EBITDA for baixo, o valor da empresa também será.
Mesmo que tenha um potencial enorme, se os números não mostrarem isso… ninguém irá acreditar e ter confiança. O EBITDA dita tudo.
O valor de uma empresa faz-se (quase sempre) com base num múltiplo do EBITDA — e esse múltiplo pode ser 3, 5, 10… Mas se o EBITDA for pequeno, multiplicar por muito continuará a dar pouco.
E depois há a outra “armadilha”: o Pagamento Por Conta do IRC.
Ou seja, se apresentarmos bons resultados num ano, não só pagamos o imposto desse exercício, como já antecipamos o do próximo.
E é aí que o Estado complica ainda mais a tesouraria das empresas.
Crescer devia ser uma boa notícia. Mas, para muitas PMEs, crescer significa… mais dificuldades. O Estado em vez de incentivar o crescimento, ele limpa a tesouraria das empresas e diminui a capacidade de crescimento.
É um dilema real, vivido todos os dias por quem gere empresas neste país.
Decidir entre poupar hoje ou investir no valor da empresa para amanhã.
Não há respostas certas.
Mas há uma certeza: enquanto o sistema fiscal continuar a penalizar o crescimento, continuaremos a viver este dilema… todos os anos.




